Aposto que você perceberam o quanto o blog está diferente.. e também perceberam o quanto estamos ausentes. 

São fases!

Graças a Deus, todos nós colaboradores ingressamos no ensino superior. Então, fica difícil estar atualizando aqui. 

Mas, acreditem! 

Vamos tentar sempre deixar algo para você, uma crônica ou indicação.

Quem sabe tudo se ajeita no próximo verão.

Obrigada por tudo.



A alma dela é poesia, tem estrofe, verso e sempre rima. Seus pensamentos são constelações. Ela é a música que sempre repete. Ela é intensidade e ter seu sentimento é sorte. Seu coração é grande demais, cada batida é inspiração. Ela se sente tão cheia de amor que pensa estar prestes a transbordar. Nada nunca é "só" um momento. Tudo é bonito e vale uma fotografia. Pra ela a vida tem trilha sonora e como em um filme pode parar o tempo onde quiser. Ela é a luz que preenche a cidade à noite. O vento que te acerta em cheio e a onda que te afoga dentro dela. Suas palavras nunca são só palavras, elas tem peso, significado e propósito. Ela é o que é e ponto. Ela tem um mundo interno gigante, um universo só dela.

Ela sente demais, muito, bastante. Sente tanto que quase não cabe no peito. Um coração só não é o suficiente. Ela é puro amor, mas não entrega tudo de bandeja. Ela vem devagar,com calma. Ela já pisou muito em falso mas ainda tem coragem de tomar banho de chuva. Agora ela quer ver tudo mais de perto porque sabe que se a gente não perder tempo com as coisas a gente perde as coisas com o tempo. Ela quer viajar o mundo de uma vez só. Ela quer olhar para a imensidão do horizonte e não saber onde o céu começa e o mar termina. Poque ela é assim também,sem fim. Ela é todas as cores em uma, a gravidade que te puxa de volta e o destino que bate na sua porta pra te fazer enxergar o que sempre procurou. 

Ela é a garoa que cai sobre a cidade e molha tudo aos pouquinhos, é a brisa do mar que te invade por inteiro. A luz que aquece, te conforta. A melodia que você não é capaz de reproduzir, e o seu pensamento da madrugada. Ela é a sexta que você tanto espera chegar. Ela é os fogos que pintam o céu na meia noite e a juventude que nunca se esvai. Ela é uma corrida a 100 quilômetros por hora e a insanidade que você procura no álcool, o delírio de sábado à noite. O poema que você rabisca na última folha do caderno e o déjà vu que você não se importaria de ter todos os dias. Ela é cada palavra que você nunca conseguiu dizer. É verdade, paixão, adrenalina. Ela é inspiração, intensidade e profundidade. Ela é arte.





Tudo bem. Eu acho que agora entendo,algumas coisas não acontecem com a gente,ou pelo menos não quando achamos que deveriam acontecer. As vezes a sorte não vem,o destino não colabora e o capítulo da nossa história não tem mais espaço agora. Talvez só tenhamos que parar de nos culpar por aquilo que não depende só da gente. Nem tudo é planejado,algumas coisas chegam assim de repente, sem avisar. E as vezes elas nunca chegam,ou parecem não chegar nunca. E eu não odeio tudo por isso,não odeio mesmo. Então agora eu decidi parar de me preocupar com o que foge do meu controle. Tudo bem, eu deixo pra lá,deixo o destino tomar as rédeas, me conduzir. No tempo do tempo. Que demore o quanto precisar,mas que venha. 

Eu vou esperar menos. Parar de procurar sinais em tudo. Não tem nada a ver com pessimismo. Descobri que é assim que as coisas acontecem: quando a gente coloca qualquer roupa para ir à aula de terça feira ou quando saímos atrasados de casa esbarrando em todo mundo no meio da rua. É nesse momento que o destino resolve cruzar o nosso caminho e nos coloca em situações que nem a mente mais sonhadora poderia imaginar. Então a gente se surpreende com o rumo que a vida toma. E essa é a melhor parte, o inesperado. Quando se é pego totalmente de surpresa. O acaso chega e parece aleatório,mas não é. Só que o destino não bate na porta,não há acaso que resolva quando estamos fechados.

Quando o universo te der essa chance,tire proveito da sorte. Eu sei,nessas horas geralmente o medo toma conta,os pensamentos correm a mil e a ansiedade chega dizendo: ´´Isso nunca vai dar certo.`` Mas vai,não do jeito que a gente espera,nem no dia que a gente espera,mas vai. O problema é esperar demais e se preocupar mais com o destino do que com o caminho até lá. Aí as coisas passam despercebidas e quando vemos já perdemos muito. Perdemos o presente vivendo no futuro que pode nem acontecer. Vivemos esperando que a vida siga o nosso roteiro,mas esquecemos que ela é feita de improvisos e erros de gravação. Ela é ao vivo.

Deixe a mente aberta e veja além do que te mostram. Sonhe,e não se arrependa nem um pouco disso. Ainda tem muitos momentos inesperados para esperar. Um dia você vai perder o ônibus,entrar na rua errada ou ir à algum lugar que não gosta mesmo que pudesse ter saído cinco minutos mais cedo,usado o GPS ou simplesmente ter passado mais uma sexta feira à noite vendo filmes em casa. Aí você vai entender que precisava estar ali naquele exato momento. Porque quando estamos dispostos a nos arriscar um pouquinho o universo tende a se abrir. Sei que algo está se aproximando, mas por enquanto eu vou deixar o destino um pouco no comando porque agora o meu coração está completamente aberto para o que vier.







O céu se estende como um manto sobre a terra. Em cima,as estrelas vibram iluminando a escuridão. Em baixo a cidade pulsa como um coração que nunca para de bater. Milhões de histórias entrelaçadas em um único lugar. E no meio disso tudo: eu. Nada. Só mais uma dentre tantas. A noite as luzem preenchem o vazio,os postes formam poças iluminadas no asfalto que me iluminam progressivamente,o vento frio corta minha pele e transforma meu cabelo em um emaranhado de fios soltos. As pessoas que passam por mim na rua perdem o rosto no escuro da noite. Os bares se enchem de uma música alta que se mistura com a dos próximos. Sento em um banco no meio da praça da cidade. Não sei o que exatamente me trouxe aqui,talvez eu tenha vindo descobrir. 

As estrelas tem um brilho diferente,como se conversassem entre si. As constelações formam desenhos na noite. Órion. Cassiopeia. Ursa Maior. O caos ordenado do céu. Elas continuam brilhando,e como uma orquestra seguem assim,juntas,como se soubessem que estão sendo observadas. E se estendem sobre mim. Sem fim. Há mais delas do que qualquer um seria capaz de contar. Uma pena,gostaria de saber o nome de todas. Quantas histórias perdidas não há no céu? Quantos pedidos recebidos? Talvez eles caiam junto com elas. Nesse caso não tive sorte. Minha estrela cadente deve ter se perdido no caminho. Elas parecem zombar de mim,veem tudo lá de cima,conhecem todo o universo. Como deve ser estar em todos os lugares ao mesmo tempo? 

Algumas pessoas voltam apressadas para casa em seus carros blindando o frio. Já não escuto mais o miado dos gatos e os bares começam a descer as portas. Logo quase tudo ficará em silêncio. Quase tudo. Sempre haverá um ruído,a cidade é viva,está sempre acordada,assim como o céu. Não deve ser tão diferente daqui,eu imagino. Perco a noção do tempo,já não sou capaz de dizer ao certo desde que horas estou sentada sozinha. Olho mais uma vez para cima,agora as estrelas parecem desbotar,como uma tinta sendo lavada da tela. Uma por uma vão desaparecendo,e logo o sol irá engolir todas as que ainda restam. Então eu me levanto e caminho em direção as casas. Da calçada ainda vejo as luzes dos prédios acessas,um conjunto que ilumina a cidade toda,como um céu que se estende sob ele mesmo. Também temos nossas estrelas aqui em baixo,afinal,e elas nunca morrem.




Ultimamente tenho sentido muito a sensação de que pertenço a outro lugar,como se estivesse presa em uma dimensão da qual não faço parte, uma realidade paralela que me puxa cada vez mais para dentro, onde estou apenas passando o tempo. Às vezes me pego com aquela sensação de desconfiança, como se algo não estivesse certo. Como aquilo que você sente quando não pode estar em um lugar para onde gostaria muito de ir . Às vezes me sinto diferente, como uma peça a mais do quebra cabeça quando descobre que esteve o tempo todo na caixa errada. Nada do lado de cá faz sentido. As coisas parecem diferentes,erradas,fora do lugar. 

Mas o tempo continua correndo.Tic tac,tic tac,tic tac. Às vezes é como uma caça ao tesouro onde devo encontrar o caminho de volta. De vez em quando sinto uma familiaridade,um estalo. Talvez seja o momento onde os outros mundos se colidam. Em algum deles eu posso ser uma pessoa completamente diferente,talvez eu esteja tentando ajudar a mim mesma neste exato momento ou quem sabe eu nem tenha consciência da minha existência.Talvez eu já tenha esbarrado com as outras ´´eu`` por aí. Será que quando uma das versões percebe algo errado todas as outras ficam comprometidas? Talvez eu seja a falha no sistema,a cópia que despertou antes da hora. 

Acredito que os outros mundos conversem entre si,não sei onde um começa e o outro termina,nem mesmo sou capaz de diferenciá-los,talvez alguma versão de mim seja,mas essa não. Acho que a outra realidade se desdobra dentro da nossa,ela pode ficar no ponto mais alto do mundo, no nível mais baixo do mar,ou nos sonhos de uma garotinha de cinco anos. De qualquer forma,todos os meus esforços de achá-lo foram em vão. Talvez ele só possa ser encontrado por acaso. Eis o grande problema: estou sempre esperando. Não sou como Lúcia,desde criança já abria meu guarda-roupa imaginando que Aslan poderia aparecer a qualquer momento e me apresentar um mundo inteiro lá dentro. Talvez eu esteja mais para Alice caindo no país das maravilhas,mas ao contrário dela,eu não desejaria mais voltar.

Talvez tudo isso não passe de um sonho confuso,quem sabe como eu acordaria amanhã? Sinto como se tudo fosse grande demais para um universo só. Não importa o quanto tente é impossível contar todas as estrelas do céu,pelo menos não nessa dimensão. Talvez do outro lado as leis sejam diferentes. Adeus gravidade,teoria do caos e Lei de Murphy. Tic tac,tic tac,tic tac. O tempo pode nem passar lá. Quem sabe exista outra grandeza física para medir um período. Talvez nem haja diferença entre passado,presente e futuro. 

As vezes sinto como se estivesse em outra realidade,em um mundo diferente do que conheço,diferente o bastante para não fazer sentido na grande maioria das vezes. Distante desse mundo pragmático. Mas ao mesmo tempo, em outros momentos acho que algo está prestes a despertar,como se por um instante eu tivesse certeza da existência de uma barreira que separa os universos.  Não sou capaz de ignorar esse imã que parece me puxar de volta, como se eu estivesse próxima de encontrar a chave que me mostrará a porta certa para que eu volte para casa e perceba que a caixa do meu quebra cabeça sempre esteve em outro lugar. Tic tac,tic tac,tic tac...